É muito comum se ouvir que o motivo pelo qual as escolas não conseguem motivar os alunos e evitar a evasão é o fato dos conteúdos dados estarem totalmente desvinculados da realidade da vida. Essa afirmação pode ser analisada sob várias óticas. Uma delas, é saber se as escolas, de fato, ensinam aquilo que precisa ser ensinado, ou seja, aquilo que os alunos precisam saber para serem bem sucedidos (isto também pode ser interpretado sob várias óticas) na vida e nos negócios.
Stephen Downes, em resposta a uma publicação do Guy Kawasaki, publicou em seu blog um texto intitulado: “Coisas que você, realmente, precisa aprender” onde lista 10 coisas que todos deveriam aprender e as escolas ensinar, mas não ensinam.
Não sei se o Downes, ao fazer a lista, hierarquizou os itens de acordo com a sua importância. De qualquer modo, a coisa que ele colocou em segundo lugar como algo que as pessoas deveriam aprender, mas as escolas não ensinam é: Como ler. Vamos fazer um teste: considerando os estudantes universitários em geral, do Brasil, você diria que: a) todos eles sabem, com certeza, como ler; b) a maioria deles sabe, com certeza, como ler; c) uma boa parte deles, com certeza, não sabe como ler. Qual alternativa você escolheria?
Ficou faltando dizer o que Downes entende por saber ler: “com isso eu não quero dizer ‘saber ler e escrever’ no sentido tradicional, mas ao invés disso, como encarar um texto e entender, de modo profundo, o que está sendo expressado”. E aí, será que todos, ou a maioria dos estudantes universitários brasileiros sabe ler, de acordo com a definição de Downes? Eu fico com a alternativa “c”. Que dizer então, dos alunos do segundo ou primeiro graus?
Sem dúvida, muitas das coisas que as escolas ensinam podem estar desvinculadas da vida real. Mas se os alunos não conseguem nem entender, de modo profundo, o que está sendo ensinado, como esperar que eles consigam entender a relevância ou não desse conteúdo?
Para se saber se um determinado conteúdo tem vinculação com a realidade da vida, é preciso ter uma compreensão mais ampla sobre a finalidade das escolas e que necessidades elas devem atender. A maioria dos alunos e uma grande parte dos pais e professores não tem essa compreensão.
O texto do Stephen Downes pode ser encontrado, traduzido, no site www.webcompetencias.com. Para acessar, é necessário se cadastrar como usuário.
em 4 Maio , 2007 as 4:33 pm
Essa reflexão vai muito de encontro com a origem de todas as organizações e instituições de uma sociedade: elas existem para atender uma necessidade daquele grupo social. Nesse sentido, o educador e o educando precisam sempre estar observando as transformações culturais, econômicas, ideológicas, políticas e sociais de sua sociedade, em particular, de seu espaço social. Somente assim poderá produzir um saber válido para aquela época e espaço. Ao mesmo tempo, sabemos que nem tudo é aplicado de imediato na realidade, ou expressão dela. Assim, também podemos - com um olhar de longo prazo - gerar novas demandas, competências e saberes. Ouvir o outro (socialmente falando) é o primeiro passo. O mapeamento e geração de competências que promovam a produtividade econômica e social somente será possível se estivermos efetivamente abertos a compreender realidades subjacentes a nossa.
em 23 Julho , 2007 as 6:38 pm
mr.Open…
No! You shouldn’t do that!…
em 15 Novembro , 2008 as 4:01 pm
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