Acabaram com o INSUFICIENTE
O Jornal do Brasil do dia 06.05.2007 estampa na primeira página a manchete: “Município acaba com reprovação escolar”. O prefeito César Maia, por decreto, acabou com o conceito Insuficiente nas 1.054 escolas do Ensino Fundamental do município. Ao todo, 625.000 alunos vão ser aprovados automaticamente.
A justificativa dada pelo prefeito é que esse é o sistema adotado “nos países onde a educação é máxima prioridade”. Será que o prefeito estudou direito o sistema educacional desses países? Será que a aprovação automática é o único ou principal fator que faz com que os indicadores educacionais nesses países sejam superiores aos nossos?
Triste país em que os problemas, quaisquer que sejam, são resolvidos por decreto. Pronto: acabaram as diferenças individuais e a exclusão social. Todos agora vão receber um diploma que comprova a igualdade de qualificação. Para que as coisas não ficassem desequilibradas, ele acabou também com o outro extremo, ou seja, o conceito Ótimo. Agora, só existe Muito Bom, Bom e Regular.
Na verdade, o que ele fez foi nivelar todos por baixo. O importante são as estatísticas. Aprender… prá que aprender? O que vai acontecer é que todos (ou pelo menos quase todos) os oriundos dessas escolas vão passar a ter o conceito INSUFICIENTE dado pelo mundo real, porque mais cedo ou mais tarde, vão ter que se confrontar com a realidade da vida. E vão ser escorraçados para a marginalidade, porque não tem a preparação necessária.
Uma das funções principais das escolas é preparar o aluno para conseguir enfrentar e sobreviver na vida real. A vida real não é assim, ela te confronta com desafios o tempo todo. Você não é aprovado automaticamente em nenhuma situação. Em todas elas você tem obrigações e tem que fazer por merecer.Nada é alcançado de graça.
O governo, de um modo geral, educa o povo para esperar sentado, não para ir à luta, para se esforçar, para merecer um emprego, uma remuneração ou uma vida justa. Ele educa o povo para esperar que o “grande pai” vai prover tudo: é bolsa família, bolsa escola, auxílio saúde, auxílio natalidade, auxílio alimentação, auxílio amamentação e assim vai.
Mas eles são espertos. Na verdade, o que estão fazendo é preparar as futuras gerações para continuarem colocando no poder políticos da mesma laia. Estão perpetuando uma classe de eleitores que trocam seus votos por migalhas.
em 4 Junho , 2008 as 8:44 pm
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