O Cliente
Quando dizem que muitos dos conteúdos dados nas escolas não tem vinculação com a realidade, muitos alunos, pais, professores e mesmo educadores se esquecem que as escolas são concessões do estado e que uma de suas finalidades primordiais é formar cidadãos melhores.
A aproximação das escolas com as empresas trouxe muitos aspectos positivos. Uma delas foi o foco nas “qualificações” e “competências” necessárias para ingressar no mercado de trabalho.
No entanto, a ênfase excessiva na formação de competências, talvez tenha feito com que as universidades deixassem um pouco de lado a preocupação em formar pessoas melhores, bons “cidadãos”.
O que a maioria dos alunos, pais e empresários do ramo não tem é a compreensão de que as escolas devem satisfação, em primeiro lugar, à sociedade. Elas devem procurar formar pessoas melhor capacitadas para ajudar a resolver os problemas e necessidades que a sociedade tem e que contribuam para criar um mundo melhor para todos. O CLIENTE a quem as escolas devem dar satisfação é a sociedade, não os alunos ou seus pais, mesmo que sejam eles que paguem as mensalidades ou os impostos que possibilitam a sua existência e sobrevivência.
É comum ver notícias de escolas que se submetem aos “desejos” de seus clientes (alunos e pais) ou que tem encontrado problemas, por não se submeterem. O que leva a essa situação é uma visão errada e deturpada da finalidade das escolas, por parte tanto dos pais, dos alunos e, mesmo, de muitos professores e diretores de escolas. Um dos efeitos dessa visão deturpada é a noção de que o aluno vai à escola para passar de ano e conseguir o diploma. Evidentemente, muitas escolas tiram proveito disso, visando apenas o lucro. Aprender, e mais que isso, aprender o que é relevante, representa apenas um detalhe de pouca importância.
Talvez isso explique, em parte, porque existem tantas vagas sendo oferecidas pelo mercado de trabalho, mas as empresas não encontrem pessoas com as qualificações necessárias para preenchê-las. Talvez explique, também, porque a produtividade em nosso país seja tão baixa, quando comparada com a de outros países; porque o país perde, cada vez mais, em competitividade, frente a outros países emergentes, ou porque tantas empresas estão transferindo suas linhas de produção para países em que conseguem maior produtividade por custos menores.