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O Tempo

Postado em Educação por Sadao Kusaka em 29 Maio 2007

Uma vez ou outra, todos reclamamos do tempo. Tempo, não no sentido climático, mas no sentido psicológico embutido na ocorrência de uma seqüência de eventos. Falta de tempo para fazer as coisas que gostaríamos, ou como desculpa por termos deixado de fazer algo, ou ainda, como o momento que deixou de ser apropriado para se fazer determinadas coisas.

Compare o “seu tempo” com o dos outros. Compare o que você faz nesse tempo e o que os outros fazem. Provavelmente, você encontrará muita gente que faz menos que você; mas encontrará, também, muita gente que faz muito mais que você. Todos reclamam da falta de tempo.

Tirando o “tic-tac” e o movimento dos ponteiros do relógio, o tempo é um conceito relativo. No entanto, excetuando a diferença na longevidade, o tempo é um dos aspectos da vida que é absolutamente igual para todos. No sentido de que os anos, meses, semanas, dias, horas, minutos têm a mesma duração para todos. O tempo é igual para todos, desde a pessoa mais ocupada do mundo até aquela que não faz nada. No entanto, “ter muito” ou “pouco tempo” é um conceito bastante relativo.

Em geral, as pessoas que mais reclamam que não tem tempo são aquelas que fazem menos coisas; as que menos reclamam são as que fazem mais coisas no tempo que têm. Na verdade, o tempo todo você está fazendo alguma coisa… nem que seja estar dormindo. Portanto, tempo tem a ver com a quantidade de coisas úteis e relevantes feitas ou que deixaram de ser feitas. Algumas pessoas têm mais capacidade de usar ou aproveitar o tempo para fazer mais coisas que, realmente, importam. Outras, são dispersas, não conseguem manter o foco e desperdiçam a maior parte do seu tempo fazendo coisas sem importância.

O tempo está relacionado ao passado, ao presente e ao futuro das pessoas. Muita gente vive do passado: gastam boa parte do tempo lembrando os bons tempos, as glórias e sucessos que não existem mais. Outros, vivem se lamentando dos erros, daquilo que fez ou deixou de fazer – a escola que deixou de freqüentar,  a oportunidade que não aproveitou, a menina que não conquistou porque nem tentou - e culpando o passado pela situação presente. Com isso, esquecem o presente. O problema de viver do passado é que, tirando as lembranças e o aprendizado, ele não mais te pertence. Você não pode atuar sobre o que aconteceu, ele está fora do seu alcance, você não pode mudar, fazer voltar ou perenizar o passado. O que se pode fazer com o passado é analisar, refletir e tirar conclusões que direcionem as ações do presente.

Por outro lado, muita gente vive do futuro: imaginando e sonhando como vai ser bom quando completar 18 anos, quando terminar a faculdade, quando arrumar um emprego, quando seus filhos forem adultos e independentes, quando entrar de férias, quando for rico, quando vier a aposentadoria… Com isso, também, esquecem o presente. Da mesma forma que o passado, o futuro também não te pertence. Por mais que você planeje, sonhe e faça coisas pensando no futuro, os fatores são muitos e nada pode garantir, com certeza, que as coisas vão ser como você imaginou ou planejou. O que você pode fazer, é se preparar, criar algumas condições que melhorem as chances de sobrevivência e adaptação no futuro.

Então, o que resta é o presente. Esse é o único momento que te pertence totalmente. Em cada momento do presente, uma pessoa adulta tem total autonomia para decidir o que fazer. O ideal é conseguir viver plenamente o momento presente. Evidentemente, que aquilo que foi feito no passado tem uma influência muito grande nas decisões e ações de cada momento do presente. Evidente, também, que as decisões  e ações do presente vão influenciar grandemente a capacidade de tomar decisões e agir da maneira “certa” no futuro.

Ser capaz de viver plenamente o presente, de tomar a decisão “certa” em cada momento, tem a ver com a educação recebida no passado. Esse é o grande desafio da educação. Será que fomos preparados no passado, para fazer isso? Será que estamos preparando os jovens de hoje para serem capazes de fazer isso, no futuro?

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